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Psicóloga do Ipesaúde fala sobre cuidados com a saúde mental durante trabalho remoto

A pandemia do coronavírus, iniciada em 2020, atingiu o mundo a partir de diversos aspectos. Foi um impacto de maneira geral, na saúde do corpo e mente. Na tentativa de conter o avanço da doença, muitos protocolos foram alterados e a rotina precisou mudar. A liberdade deu lugar a regras rígidas de biossegurança e isolar-se passou a ser alternativa. Mas como as pessoas encararam essa nova realidade? O que foi preciso fazer para se adaptar às incertezas?

Uma das áreas afetadas foi o âmbito profissional, quando aqueles que ainda puderam manter seus empregos passaram a fazê-lo de casa, por trabalho remoto. A psicóloga Michele Carvalho explica de que maneira essa rotina pode se tornar mais adaptável e menos prejudicial à saúde mental.

“O entendimento de que estamos vivendo um momento de incertezas em vários aspectos, econômico, social e principalmente físico, o que nos causa grande sofrimento psíquico principalmente o medo, nos ajudaria a lidar com esse momento de forma mais compassiva com o outro e com nós mesmos”, conta Michelle Carvalho.

Dúvidas podem surgir em relação à capacidade do indivíduo de realizar as tarefas profissionais, sob o novo aspecto e modelo de trabalho. Sobre isso, Michelle Carvalho pontua que “ vários estudos comprovam a relação entre a pandemia e o adoecimento mental da população, aqui trazemos o estudo de Moreira et al, 2020, que destaca especificamente quadros de ansiedade, depressão estresse e transtorno de estresse pós-traumático, como exemplo de adoecimentos mentais intensificados durante a pandemia e intimamente relacionados a intensificação de crenças de incapacidade e vulnerabilidade”, conclui.

Um fator que ser administrado é o tempo, mais especificamente de que maneira aquele período em que o indivíduo está em trabalho remoto pode ser otimizado, sem afetar sua rotina. Sobre assunto, a psicóloga Michelle Carvalho ressalta que a organização do tempo é fundamental.

“A organização do tempo é de fundamental importância para que possamos distinguir o ambiente de trabalho e o ambiente de casa, onde relaxamos e nos conectamos com outras atividades, definindo momentos específicos de autocuidado propiciando o equilíbrio necessário para a promoção de saúde mental e bem- estar no período do isolamento social. Para Zanon et al, 2020 destacam-se as contribuições da psicologia positiva com pesquisas sobre os conceitos e utilização da autocompaixão, resiliência, criatividade, otimismo, esperança e praticas de meditação mindfulness para lidar com os efeitos adversos do isolamento e do trabalho remoto”, pontua.

A condição do trabalho remoto requer a responsabilidade de quem o exerce e, por causa disso, a ansiedade pode surgir, assim como angústias ou incertezas, no que diz respeito a essa diferente forma de labutar. Sobre isso, Michele Carvalho comenta.

Em um balanço realizado das experiências de trabalho remoto na realidade da União Europeia, constatou-se que muitas vezes se misturam a identidade entre o domicílio e o local de trabalho. Isto é um fator inviabilizador da desconexão do colaborador em relação às atribuições pessoais ou domésticas com as profissionais, gerando o aparecimento de sintomas de estresse e de outras doenças psicossomáticas (MÉNDEZ 2015)”, disse Michelle Carvalho.

Uma boa opção para quem está passando por isso é contar com o apoio dos familiares ou das pessoas do seu convívio diário. É a integração social e familiar, que a psicóloga Michelle Carvalho diz que “é decisiva na preservação da saúde mental, para pessoas em isolamento mais restrito, reuniões online, intensificação de contato telefônico, ajudam no sentido de pertencimento e de conexão. Para pessoas que estão em isolamento com vários integrantes da família, o respeito aos horários de trabalho, a tentativa de conciliar esse horários de lazer e de trabalho entre os integrantes ajuda no estabelecimento de uma rotina mais saudável. Manutenção dos horários de dormir, acordar e alimentar-se favorecem a percepção de normalidade. Estabelecimento de horários de integração lúdicos estreita laços e aumenta a percepção de sentimentos de alegria e felicidade.

O novo modelo de relação com o trabalho que surgiu durante a pandemia pode continuar por muito tempo, tendo em vista que as ações para o enfrentamento ao coronavírus ainda estão em curso e, até lá, a alternativa de manter-se em trabalho remoto deve continuar. A saúde mental por sua vez, também deve ser preservada ao máximo, de maneira geral, como explica Michelle Carvalho.

“Entendo como necessária uma ampla divulgação das medidas e práticas de preservação da saúde mental e da qualidade do sono recomendadas pela Organização Mundial da Saúde, OMS, sociedades e associações de profissionais da saúde mental. Além disso, é essencial a disponibilização de serviços online para atenção a pacientes necessitados de amparo no tocante às suas condições emocionais e mentais”, ressalta Michelle Carvalho.

A psicóloga Michele Carvalho finaliza elencando alguns prós e contras do trabalho remoto. São eles:

manutenção das ocupações em um período de crise econômica;

afastamento social, como fator protetivo de contaminação;

aprendizagem de novas formas de técnologia;

flexibilidade cognitiva;

menor perda de tempo em descolacamento.

Contras:

sensação de isolamento;

perda do limite entre o trabalho e a casa;

controle do tempo de trabalho;

investimento financeiro para adequação do espaço doméstico em local de trabalho;

dificuldade em manter a motivação.

Psicóloga Michelle Carvalho

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